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Património PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
O registo do topónimo Barreiro surge, no contexto da Baixa Idade Média, em documentos da Ordem de Santiago que relacionam lugar com a existência de marinhas de sal, que datam pelo menos de 1322.

Integrado no antigo concelho de Riba Tejo - extenso território da Margem Sul do Tejo, que entre os séculos XIII/XV abrangia a região entre a Ribeira das Enguias (Alcochete) e a Ribeira de Coina,- o Barreiro desenvolveu uma estrutura de povoamento, muito provavelmente, a partir de uma das inúmeras Quintãs ou casais, que dessiminadas por toda a orla transtagana, deram origem aos aglomerados urbanos contemporâneos.

Crescendo à beira do rio, desde muito cedo o Barreiro revelou a sua vocação para as actividades de carácter agromarítimo, em que a pesca, a salicultura, a moagem, se complementavam com o cultivo da vinha e o abate de lenha, numa estrutura económica típica das póvoas ribeirinhas do Tejo.

 

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Testemunhos bem vivos desses tempos, são os vestígios de grande número de moinhos de água, que particularmente em Alburrica, resistem ao passar dos séculos.

Evolucionado a partir da criação da Paróquia de Santa Cruz em 1487, o crescimento do local foi de tal forma célere, que menos de meio século decorrido, D. Manuel I, outorga Carta de Foral à então Vila Nova do Barreiro, a 16 de Janeiro de 1521, subtraindo-a ao alfoz de Alhos Vedros ao qual pertencia.

O recém-criado concelho, cujo termo era diminuto - pouco pouco mais que uma légua ao redor do núcleo urbano, assim permanecerá por mais de 3 séculos, só vindo a sofrer alterações já nos alvores do séc. XX, em 1898 aquando da extinção de vários concelhos vizinhos (Alhos Vedros, Lavradio, Coina, entre outros) o que lhe conferiu definitivamente, as actuais delimitações.

 

O traçado e morfologia irregulares do velho caso urbano, que deixa adivinhar raízes medievais, implantou-se numa pequena elevação sobranceira ao rio e atinge a sua quota máxima nas Travessas do Prior (Quinta da Cerca), e Travessa do Loureiro.
O centro cívico da Vila quinhentista era a Praça de Santa Cruz, formada pelos edifícios da Igreja Matriz (sec. XV), da Misericórdia (1569), e a Casa da Câmara, ou Paços do Município. Este era o espaço privilegiado onde quotidianamente se teciam as redes de sociabilidade local, quer ao nível político, religioso ou simplesmente convivial. A partir da Praça fazia-se a articulação com o Largo Rompana (dos Lagares do séc. XVII), o antigo sítio das Obras já assim chamado em 1592, e a antiga Rua Direita de Palhais (séc. XVII), que conduzia à saída Poente da Vila.
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Contudo, presume-se que o primitivo núcleo de povoamento estruturado, tenha surgido para as bandas do Alto do Hospital, pois esta instituição já aparece referenciada em 1534.

O núcleo habitacional na àrea correspondente ao Bairro de S. Francisco no sentido Norte até à praia, um dos traçados mais antigos, apresenta características arquitectónicas muito modestas, mas típicas da arquitectura vernacular, ainda visíveis em telhados de duplo beiral ou telhados múltiplos (de 4 águas), muito correntes nos séculos XVI/XVII, nas sacadas de ferro forjado, ou ainda em janelas de sistema de guilhotina, já bem raras.

 

O Bairro de S. Francisco adquire esta denominação popular no século XVIII, quando a Irmandade de S. Pedro, reconstruiu à sua custa por volta de 1780, toda a igreja de S. Sebastião, bastante arruinada pelo terramoto de 1755. A partir desta época instalou-se aqui a Ordem Terceira de S. Francisco, pelo que o templo e toda a zona ganham esta denominação.

Do legado quinhentista, conservaram-se os edifificados de carácter religioso, apesar das muitas alterações registadas.

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Destaque-se o singelo portal manuelino da extinta Ermida de S. Sebastião (séc. XVI), posteriormente incorporado na Igreja de S. Francisco, e actualmente reutilizado numa fachada civil da Rua Serpa Pinto (antiga Rua de S. Francisco). A Igreja Matriz de Santa Cruz conserva um portal renascentista, com a insígnia de S. Tiago, e no interior uma pia baptismal que é provavelmente peça de origem. Em frente à Matriz, mas mais tardia, a delicada fachada da Misericórdia, apresenta uma gramática ornamental já do período característicamente maneirista e barroso.

Durante os séc. XVII/XVIII, regista-se um crescimento urbano no sentido Leste/Oeste, numa faixa linear junto do rio (antiga Praia Norte do Loureiro), que vai dando corpo às ruas Marquês de Pombal (Rua Nova da Praia) e Almirante Reis (Rua Detrás dos Quintais), num traçado relativamente recticulado que enuncia o período pombalino. Estas vias crescem axialmente à antiga Rua de Palhais e vão entestar na velha Ermida de S. Roque, actual Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
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Esta Ermida irá acolher no séc. XVIII, um dos círios mais concorridos de toda a Margem Sul, a romaria à Senhora do Rosário, a qual atraía devotos de todos os pontos do país e inclusivé do Brasil, que para aqui se deslocavam em procissões marítimas para veneração da imagem. A partir deste período a igreja ganha a actual designação.
Desde 1629 que se abrigava nesta Ermida, a Irmandade de S. Pedro, que então também conferia esta designação à igreja, ou Capela dos Homens do Mar como aparece na documentação coeva. Tratava-se de uma Corporação formada exclusivamente de marítimos e é decerto, uma das primeiras confrarias de tipo profissional existente no Barreiro neste período. Possuia só para os seus membros um médico e uma Botica própria, a qual estava vedada aos não confrades.
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É neste Barreiro de mareantes e pescadores, pela orla ribeirinha da Praia Norte do Loureiro, que ainda se podem observar alguns exemplares de casas que constituíam o antigo bairro dos pescadores, ou bairro da praia, hoje "rebaixadas" pela implantação da Avenida Bento Gonçalves, mas, que ainda dão a dimensão de como as águas "bailavam" às portas dos pescadores.

A partir daqui, estendiam-se azinhagas que conduziam a quintas e campos de cultivo, entremeados por courelas de vinha, que em 1592 bordejavam o Adro de Santa Cruz.

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Durante séculos a estrutura sócio-económica do pequeno burgo, manteve-se estável, mas em meados do século XIX, no seguimento da política fontista, razões de índole geográfico/económicas - proximidades com Lisboa e excelente navegabilidade do Rio Coina - determinaram a escolha do Barreiro como eixo central de comunicações ferroviárias entre o norte e o Sul, criando-se aqui o primeiro núcleo de transportes ferroviários ao Sul do Tejo, em 1861, o que dá inicio ao grande arranque industrial.
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Desde então, operou-se na sociedade barreirense uma transformação irreversível; as antigas estruturas económicas entram em decadência, surgiram logo em 1875 os primeiros «fabricos» de cortiça, consequência das ligações ferroviárias, prenunciando o grande surto industrial do século seguinte.
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Em 1907 a instalação do grande Complexo Fabril da CUF, produz os primeiros produtos químicos e sabões em 1908. Quase um século de laboração industrial transformou a antiga vila piscatória, num Barreiro moderno e populoso onde dezenas de milhar de operários ferroviários, corticeiros e químicos, produzem novas riquezas, adquirem novos saberes, e sobretudo são os actores de «um Barreiro operário a tempo inteiro».
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A crescente necessidade de mão de obra, faz afluir um constante vai e vem de gentes, oriundas em grande parte do Alentejo, Algarve e região beirã, dando origem aos bairros de operários ferroviário para os lados do Alto do José Ferreira. Nos anos 30/40 é construído o Bairro do Palácio de Coimbra, figura ligada aos caminhos de ferro.
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Junto às fábricas de Alfredo da Silva florescem as "Correntezas operárias" (Largo Alexandre Herculano, Rua Marquês de Pombal) e no próprio interior do complexo fabril, é construído o Bairro Operário em 1908. Nos anos 30 a expansão das fábricas e do próprio bairro, sacrificam todos os terrenos em torno do Alto de Santa Bárbara e a Ermida inclusa, cuja construção datava do século XVI. Este bairro ainda mantém a antiga toponímia ditada pela Fábrica, que a tudo estende o seu domínio, como são exemplos a Rua do Ácido Súlfurico, a Rua dos Superfosfatos, a Rua da CUF etc.

À volta das fábricas, para Sul, foi crescendo de forma espontânea, o Bairro das Palmeiras (Bairro das Folha), com os seus inúmeros pátios interiores, de condições de habitabilidade precárias, onde viveram muitas dezenas de famílias chegadas pela primeira vez ao Barreiro, para engrossar os contigentes operários.

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Este Barreiro que emerge o século XIX, é um Barreiro gerador de uma grande diversidade cultural que se expressa na criação de inúmeras associações, das quais a mais conhecida foi a Philarmónica Barreirense, fundada em 1848, de que resultaram em 1870 a Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense «Os Penicheiros» e a Sociedade Democrática de União Barreirense «Os Franceses».
No alvorecer do século XX as ideologias Republicana e Socialista dão corpo a associações políticas e de carácter cívico, que definem até ao presente o perfil democrático do Barreiro, surgindo as Associações de Classe dos Corticeiros, dos Ferroviários, Cooperativas, Associações Humanitárias já centenárias como os Bombeiros Voluntários de Sul e Sueste, o Instituto dos Ferroviários, grupos de teatro, clubes desportivos, e tantas outras instituições, de recreio, instrução e cultura.
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Estas são heranças que constituíram o devir para muitas gerações, que ao longo de séculos moldaram uma cultura própria, que marca fortemente a identidade da comunidade barreirense contemporânea.
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Baseado em Edição da Câmara Municipal do Barreiro


Investigação e textos: Divisão Sócio Cultural, Sector de Património Histórico

Concepção, Design Gráfico, fotografia e Impressão: Divisão de Informação e Relações Públicas

Maio 1998

 

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